Dizias-me que o que mais apreciavas era o facto de eu ser cheia de vida. Nunca parava, queria sempre mais. Deixei de querer. Estagnei numa força paralela e circulo pelo vácuo espacio temporal, emergindo e submergindo, consoante a vontade dos deuses e, pelos vistos, a minha própria opção. Não percebo muito de opções. Raras vezes as fiz satisfeita. Tenho tendência para olhar a realidade em múltiplas vertentes. Nunca há uma só verdade, nem uma só possibilidade. Bom, bom seria estendermo-nos por vários caminhos e gozarmos plenamente todos eles. Assim, tenho tendência para ficar a pensar "E se...". Isso não existe. Foi o que foi e pronto. "Mas e se..." Não há "se" nem meio "se" já lá diria a minha mãe. Ela é que sabe da perenidade dos dias e da vontade de voar, dentro de uma gaiola fechada. Aprendi com os meus pais o que não queria para mim. E fui bem sucedida: não tive. Desejei outros caminhos, percorri alguns e sonhei mais uns quantos. Não me cumpri. Não posso partir. Não quero voltar atrás. Quero seguir o percurso que escolhi e furar as paredes que eu própria construo em volta das projeções que vou fazendo. É fácil ser feliz. Basta querer. Basta concluirmos que merecemos boas aventuranças.
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