sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ondas

Ondas que se enleiam em ondas, que tocam seres e coisas e pessoas e mestres.
Singularidades de correntezas. Não olho para trás, mas sinto em mim todas as vivências que tive e estico-me para além, onde ainda nem cheguei porque sei que lá estou também. Descubro, como se de uma grande revelação se tratasse, que todos os sentidos do universo se condensam num órgão físico espelhado na água que observo a ondear.
E vou com ela. 
E fico contigo.
Há momentos preenchidos, cheios de tudo o que não vemos. Sibilâncias de alma que estreitamente vislumbram a paixão. 
A paixão vai com as ondas e fica o sabor a tudo o que se viu repleto e nunca mais estará vazio.
Porque o caminho continua, estaremos sempre ali, a pairar, num momento que de tão único, se fez eterno.
Vamos colher laranjas? Foi a pergunta. Poderiam ser cerejas ou pêssegos, mas não, foram as laranjas, doces, que colhemos. 
Quebrei uns quantos ramos e sentei-me ao teu colo afagando a certeza da eternidade. 
Voltas, não voltas? Volto. 
Já cheguei. 
Agora sou eu que espero por ti.
 



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