quinta-feira, 13 de março de 2014

Era um vazio cheio de coisas



Era um vazio cheio de coisas e sem nada dentro.

Rugas internas resultantes de todo um esticanço soalheiro que medra sem se sentir o pó vindo da chuva em poros voláteis.

Sou ar, vazio, negrume e alegria desmedida. Incongruências e bipolaridades que resultam em ecuménicos estados de (des)prazer.

Somos. És. Foste. Estás. Irás algures. 
Longe de ti e de mim na enormidade de uma pequenez humana em síncope.

Queda ou altivez insondáveis porque distraidamente esparsas.

Lua vermelha ou mandala colorida? Como pode a inércia indiciar movimentos? Só porque pode e quer ir algures tendo em vista nenhures e a contradição imanente e humana de sonhos que desaparecem como nuvens ao mudarem a forma.

Copo meio cheio ou meio vazio. Depende dos olhos e da (re)conexão.

Estou. Estamos. Fico. Vais. Voltas. Parto.

E depois é apenas isto. O vazio cheio de nada e pleno de distâncias.

Desapareço no ponto final da próxima frase. Acabo aqui.

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