segunda-feira, 20 de maio de 2013

Poesia


Amar é perder-se no tempo,
ser espelho entre espelhos.

Ao que é temporal chamar eterno.
Amar é despenhar-se
cair infindavelmente,
o nosso par
é o nosso abismo
amar é duplo
e sempre dois
dois é querer continuar o mesmo
e já ser outro, e outra
amar é ter olhos nas pontas dos dedos
tocar no nó em que se enlaçam
quietude e movimento

Quero-te...
A tarde foi a pique
lâmpadas e reflectores
devassam a noite
com palavras de água, chama, ar e terra
inventamos o jardim dos olhares
diante de nós
está o mundo.

Octávio Paz

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