A luz dos primeiros tímidos raios de sol entrou naquela sala. Sentada junto à janela da Brazileira, degustava o meu pastel de feijão seguido de um café. Quente. Olhei-te. Sorri. Sorriste. Vieste do exterior até mim. Um ruidoso e simpático grupo acompanhou-te. Olhaste-me e não paravas de dizer “Tens cara de boa pessoa!”. Tamanho êxtase e espanto. “Olhaste para nós e sorriste. Não como quem goza. Apenas como quem aprecia e gosta.”
Olhei-te. Sorri, mais uma vez. Foste ao balcão, encostaste-te. Continuaste a olhar-me. Senti-me quente. Saíste. O teu amigo gritou “Vamos apanhar laranjas!”. Boa actividade numa tímida manhã de carnaval. Salvaste o meu dia. Salvaste-me naquele momento. Gostei de ti. Partiste como chegaste: de rompante. Levaste o meu olhar. Levaste-me. E permaneci imóvel, flutuante.
Leva-me de novo um destes dias…irei apanhar laranjas contigo…

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